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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

A INTERVENÇÃO FEDERAL NO RIO (Artigo publicado em O Estado de S. Paulo, em 22-02-2018)

Das decisões em relação à segurança pública no Rio de Janeiro poder-se-ia afirmar o que Hegel dizia da Filosofia: elas chegam sempre tarde demais, “quando as sombras da noite se aproximam”, ou seja, quando o crime organizado já se sedimentou e tornou refém de si a própria sociedade. Lembro-me de que, em 2003, em palestra proferida no Conselho Técnico da Confederação Nacional do Comércio, eu apregoava a necessidade dessa intervenção, em face do poder que tinham assumido, no Rio, os bandidos. Hoje, quinze anos depois, a intervenção foi decretada, de forma tímida, mas, enfim, ensejando uma nova etapa no combate à criminalidade. O próprio Presidente da República, Michel Temer, no ato de assinatura do decreto de intervenção federal, deixou clara a gravidade do momento: o banditismo sequestrou a vida dos cariocas e fluminenses! O mal, segundo o Presidente, assemelha-se, hoje, à metástase produzida no organismo pelo câncer, com a criminalidade ameaçando a segurança pública em outros Estados brasileiros. Em face dessa desgraça, a resposta do governo não poderia ter sido outra.

Parece-me, no entanto, que a intervenção decretada ainda é tímida demais, diante da gravidade dos fatos. Com um organismo policial, como o que hoje age no Estado do Rio de Janeiro, corroído até as entranhas pela corrupção e as negociatas obscuras com o crime organizado, como já foi reconhecido por muitos, desde o governo federal até as instâncias estaduais e municipais, era necessário que a intervenção focalizasse, primeiro, o saneamento da corporação da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. A banda podre da PM, sabemos, a torna refém dos interesses dos meliantes. Bandidos eliminam sem nenhum constrangimento, metralhando-os no meio da rua e à luz do dia, aqueles oficiais, sub-oficiais e jovens soldados que contrariarem os seus interesses. Até comandante de batalhão da PM foi recentemente executado na rua, numa cena que não era de um simples confronto com meliantes. O Presidente recordava, no seu pronunciamento, o drama de famílias que sofrem com a perda de entes queridos, notadamente crianças, vítimas do fogo cruzado entre bandidos e forças policiais. Mas, convenhamos, boa parte do drama decorre da presença, entre os atores à margem da lei, de elementos corruptos provenientes da Polícia Militar, alguns deles hoje integrados às milícias que constituem a outra frente da luta armada e que disputam com os marginais territórios nas favelas, tendo-se integrado já ao mercado de tóxicos e de armas. A Polícia Civil, de outro lado, encontra-se numa situação de penúria administrativa e financeira, que a impossibilita de realizar a contento os seus trabalhos investigativos e de inteligência.

Ora, em face da gravidade do problema, a primeira frente da luta contra o crime organizado deve começar pela extirpação cirúrgica e rápida dos focos de policiais militares corruptos, como foi feito na Colômbia, no início da luta do Estado contra os cartéis das drogas. Em Bogotá, no primeiro ano de enfrentamento contra a corrupção policial, nos anos 90 do século passado, mais de dois mil agentes foram colocados no olho da rua e passaram a responder na Justiça pelos seus crimes. A providência do saneamento da Corporação da Polícia Militar deve incluir a identificação e sumária expulsão dos elementos vinculados ao crime organizado, seja qual for a sua patente. Terá o Interventor Federal poderes para tanto?

Por outro lado, o decreto de intervenção prevê que as Forças Armadas não têm poder de polícia no combate sem quartel que vão travar contra o crime organizado. Ou seja: não têm poder para eliminar em confronto ou prender bandidos. Acho tímida demais essa modalidade de intervenção. Os militares deveriam ser munidos do poder de polícia, que compartilhariam com os elementos escolhidos das polícias militar e civil. E devem ter todo o amparo legal para eliminar os bandidos que entrarem em confronto com eles ou que atentarem contra os cidadãos. Se não for assim, os militares ficarão em posição de desvantagem no cumprimento da sua missão.

A atual quadra do empoderamento do crime organizado no Rio é mais um capítulo das desgraças que o populismo trouxe para o Brasil, a partir da redemocratização. Primeiro foram os dois governos populistas de Leonel Brizola, que tornaram os morros santuários do crime organizado, com a sua maluca ideologia do “socialismo moreno” que impedia aos policiais de entrarem nos redutos dos bandidos. Depois vieram as réplicas dos discípulos de Brizola, entre os quais se destaca o casal Garotinho. Depois veio a desgraça que se abateu sobre o Brasil com o populismo lulopetista no governo federal, que encontrou eco na corrupta gestão de Sérgio Cabral. O PT simplesmente abriu as portas do nosso país para o crime organizado, graças às simpatias de Lula para com regimes “bolivarianos” claramente favoráveis ao narcotráfico, como o chavista, o do bispo Lugo no Paraguai e o do líder cocalero Evo Morales na Bolívia.


A sociedade civil deve apoiar com firmeza a intervenção no Rio e a ação das Forças Armadas no combate ao crime organizado. A pior atitude é a de alguns acadêmicos de esquerda que identificam as atuais medidas como um “espanta baratas” que não produzirá resultados. Isso somente reforça os interesses do crime organizado. É necessário que as universidades e os centros de estudos destaquem os aspectos que poderiam ser dinamizados para a intervenção atual ter sucesso. A crítica destrutiva somente favorecerá os interesses dos meliantes. Perante situações extraordinárias devemos empenhar esforços também extraordinários. Não temos outro caminho.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

CARLOS CAMACHO ARANGO Y LA NUEVA HISTORIOGRAFIA COLOMBIANA

Carátula de la obra de Carlos Camacho Arango titulada: El conflicto de Leticia (1932-1933) y los ejércitos de Perú y Colombia (Bogotá: Universidad Externado de Colombia - Centro de Estudios en Historia, 2016, 515 pgs.).

El joven historiador Carlos Humberto Camacho Arango.
Conocí a Carlos Humberto Camacho Arango (nacido em 1977) en Julio del año pasado, durante mi permanencia en Bogotá. Fuí a visitar a familiares y amigos después de 10 años de no regresar a mi tierra natal. Me encantó la permanencia en la capital y en la Hacienda El Carmen, de La Calera, en donde pasé buena parte de mi infancia. Había recibido noticia de la obra de Carlos a través de mi hermana María Isabel, que vive en Toronto y que se interesa, como yo, por todo lo que diga relación con la historia de la Guerra contra el Perú (1932-1933). En ese conflicto ocupó lugar de importancia mi abuelo materno, el general Amadeo Rodríguez (1881-1959). 

He dejado registradas aquí, en este blog, algunas materias de mi autoría, relativas a ese evento: http://pensadordelamancha.blogspot.com.br/2014/06/caminos-de-guerra-y-conspiracion-del.html  y http://pensadordelamancha.blogspot.com.br/2013/08/la-guerra-colombo-peruana-de-1932-1933.html  

Carlos Camacho Arango es egresado del Colegio San Ignacio de Medellín, en donde culminó sus estudios secundarios en 1995. Después estudió Historia en la Universidad Nacional, sede Medellín y ulteriormente realizó sus estudios de doctorado en Historia en la prestigiada Universidad Sorbonne, en París, en donde defendió, en 2013, su tesis titulada: Le conflict de Leticia (1932-1933) et les Armées du Perou et de la Colombie,  561 p. El tema investigado fué definido por la Universidad francesa como: "Histoire-Récit, Histoire Comparée, Histoire Croisée". Actuó como orientador (función que en Francia es denominada como "director"), el historiador Annick Lempérière (nacido en 1953) y que cuenta en su currículo con una treintena de orientaciones de investigadores a nivel de Maestría y Doctorado, sobre temas relacionados con la política, la cultura, la economía y la historia en Latinoamérica.

La tesis de Carlos Camacho fué transformada en libro y publicada a fines de 2016 por la Universidad Externado de Colombia (en donde el autor es docente-investigador en el Centro de Estudios en Historia), con el siguiente título: El conflicto de Leticia (1932-1933) y los ejércitos de Perú y Colombia, 515 p. Es una alentada obra en cuya confección el autor no ahorró esfuerzos en las consultas a bibliotecas especializadas y centros de documentación (de Francia, Inglaterra, Estados Unidos, Colombia y Perú). La seriedad de la consulta a fuentes primarias, es enriquecida con la forma dinámica en que el autor desarrolló su tema, dándole una estructura dramática entre la historia documental y la vivencia de los personajes, adoptando un método que yo llamaría cinematográfico, de superposición de imágenes de una trama narrativa doble, como en la cinta Marnie [1964, de Alfred Hitchcock, con Sean Connery y Tippi Hendren]. Este método narrativo cinematográfico en dos planos fué hartamente utilizado por García Márquez, repitiendo una técnica presente en otras obras de ficción, como lo hace Ernesto Sábato en Sobre héroes y tumbas [1ª edición, Buenos Aires: Compañía General Fabril Editora, 1961]. El recurso narrativo mencionado hace de la obra de Camacho un texto de Historia viva, con un dramatismo que cautiva al lector.

Deben haber influído directamente en la adopción, por Carlos Camacho, del arquétipo de un par de líneas narrativas que se trenzan, las siguientes obras, de ficción, una, y de ensayo historiográfico, la otra: Rayuela de Julio Cortázar [3ª ed., Buenos Aires: Suramericana, 1966] e Historia doble de la Costa del gran sociólogo Orlando Fals Borda [Bogotá: Carlos Valencia Editores, 1979, 4 v.], como oportunamente recordó el sociólogo Giovanny Paolo Arteaga Montes en la reseña que hizo de la obra de Carlos Camacho [In: Historia y Espacio, Cali, vol. 13, nº 49, Agosto - Diciembre 2017, p. 259-265].

Fiel a la técnica existencial-cinematográfica adoptada, el autor abre y cierra su obra con dos vivencias personales: la lectura de un documento  periodístico (en el Prólogo) y la charla con un taxista en Lima (en el Epílogo). Efectivamente, Carlos Camacho así comienza su Prólogo, citando las palabras de Mario Vargas Llosa, dirigidas al periodista Xavi Ayén en 2010, poco antes de recibir el premio Nobel de Literatura: "CARTAS - En París, cuando trabajaba en la radiotelevisión francesa, un día recibí de la editorial Julliard la novela Pas de lettre pour le colonel, y así descubrí a García Márquez, en francés. Desde entonces supe de él. Al publicar yo La ciudad y los perros, recibí una carta suya, y empezamos a escribirnos, e incluso planeamos escribir esa novela a cuatro manos sobre la guerra peruano-colombiana, un proyecto que finalmente quedó en nada. Hablábamos de ello, cambiábamos ideas. Se trataba de una guerra fantochesca por un pedazo de la Amazonia, pero era más divertido hablarlo que realizarlo" (Prólogo, p. 15). Carlos Camacho lanza así su reto al comienzo de la obra: para dos escritores latinoamericanos que son premios Nobel, la gesta amazónica no pasó de una farsa que dió lugar a algunas leyendas maravillosas, pero que no pasó de ahí.

El reto se cierra en el Epílogo, con el autor contando su charla con un taxista: "En Lima, algunos años atrás, el autor de este libro tomó un taxi hacia el Centro de Estudios Histórico-Militares del Perú en busca de documentos para su tesis doctoral. Al reconocer que el pasajero no era compatriota, el conductor quiso saber el motivo de su viaje. Tuvo lugar entonces un corto diálogo parecido al siguiente: - Estoy haciendo una investigación sobre la guerra entre Perú y Colombia. - Estás equivocado, la guerra fue con Ecuador" (Epílogo, p. 497).

Entre el Prólogo y el Epílogo, que destacan la inexistencia de la guerra entre Colombia y el Peru, se desarrolla la obra historiográfica de Carlos Camacho con una estructura dramática que centra la atención, ora en los personajes individuales (capítulos impares), ora en la narrativa de los acontecimientos y de las negociaciones entre los gobiernos (capítulos pares). Algún comentarista comparó esa estrutuctura narrativa con una trenza hecha de dos mechones de cabello de los hechos: el de las vivencias personales y el de los acontecimientos. Pero tanto unas cuanto otros se encuentran sedimentados en el rigor crítico de un historiador profesional, que busca fuentes primarias, confronta versiones de los hechos y de las vivencias y saca en limpio lo que sería la versión más creíble de los acontecimientos, por ajustarse mejor al rigor crítico del historiador.

En la obra que reseño salen ganando la Historia y los lectores, que encontramos un relato que clarea lo que realmente ocurrió en el conflicto colombo-peruano. Vale la pena citar la conclusión a la que llega Carlos Camacho en su Epílogo: "La réplica (del taxista en Lima), pronunciada con una seguridad asombrosa, puede servir de punto de partida de este corto epílogo, pues es un hecho que hablar en Perú de una guerra con Colombia suena bastante raro. No tanto porque los peruanos recuerden estos episodios mucho menos que los colombianos, lo cual es cierto. Más bien porque aun quienes tienen memoria de ellos los ven, a lo sumo, como un momento de tensión en la frontera. La palabra guerra se reserva en Perú a lo que pasó con Chile en el siglo XIX y, como acaba de verse, a lo que pasó con Ecuador en el XX. Leticia palidece en comparación. En Colombia, por el contrario, Leticia es lo más parecido a una guerra internacional en toda la historia de la República: de ahí el uso sin par de esa palabra para calificar los sucesos de 1932-1933 en la Amazonia. En contraste, la palabra conflicto es aceptada en ambos países - quizá por tener menos ecos dramáticos -. Conflicto de Leticia es entonces una etiqueta apropiada" [p. 497].

"En el balance final - citemos  el penúltimo párrafo de la obra - , el Conflicto fue paradigmático, pues no se alargó en el tiempo, terminó por las buenas y dejó, relativamente, pocas víctimas, en su inmensa mayoría militares - como en una batalla naval, las bajas civiles fueron minoritarias -. También fue paradigmático porque en él se luchó sin odio y porque un resentimiento colombo-peruano no se contó entre sus causas ni entre sus consecuencias. Hoy en día el Conflicto se recuerda en Iquitos como una gesta local y regional, no como una tragedia, y si allí queda algún rencor, está dirigido a Lima, no a Bogotá" [p. 498].


El rigor crítico del historiador profesional presente en los escritos de Carlos Camacho, es el factor que le confiere a la obra su valor en el terreno de la historiografía, como reconoció, en diálogo con el autor, el historiador norteamericano Malcolm Deas, según testimonio autorizado de un estudioso del conflicto colombo-peruano como Alberto Donadio [El Espectador, Bogotá, 28 de abril de 2017]. 

Y es que la obra representa un esfuerzo de monta para reconstruir los hechos a partir de la paciente disciplina de buscar documentos y siguiendo líneas de pesquisa que conduzcan, de forma segura, a las fuentes. Esos caminos fueron los del paciente estudio de los gastos de los gobiernos de Lima y de Bogotá, a lo largo de las décadas que antecedieron a los hechos investigados, para ver cuáles fueron las prioridades presupestarias que movieron a los gobiernos de ambos países, en lo que se refiere a la actividad de sus ejércitos. Camino investigativo semejante a la vía que hoy en día recorren los que, profundizando en la "accountability", buscan identificar los retorcidos senderos por donde se esconden los dineros del crimen organizado en el escenario internacional. Es importante la comparación que el autor establece entre los dos ejércitos, el colombiano y el peruano. El primero, con influencias esporádicas de los ejércitos chileno, alemán y suizo y el segundo con una presencia más definida del modelo de modernización francés - que ejerció también alguna influencia en el proceso de reforma del ejército brasileño a lo largo de los años veinte del siglo pasado -.

La conclusión que Carlos Camacho saca de la investigación comparativa de los ejércitos de Colombia y el Perú es clara. Este país realizó las "transferencias" de conocimientos de la fuente francesa, de forma más completa que Colombia, que utilizó apenas parcialmente sus fuentes de influencia europea y latinoamericana (alemanas, suizas y chilenas). Cito un párrafo elocuente: "Colombia empleó a intermediarios para asegurar sus transferencias militares: en lugar de contratar oficiales alemanes importó unos pocos chilenos; aunque algunos oficiales colombianos adelantaron estudios en Santiago, no se tienen noticias de viajes de estudios a Berlín; por último, la adopción de traducciones chilenas de reglamentos del Ejército de Alemania, sin una misión militar de este país que verificara su adaptación a la realidad colombiana, multiplicó los inconvenientes de la circulación transatlántica de publicaciones militares. En Perú, por el contrario, la relación con la fuente europea de transferencias fue directa: a Lima llegaron varias misiones militares francesas; muchos oficiales peruanos continuaron sus estudios en París y los instructores franceses pudieron criticar y aclarar personalmente algunos de los malentendidos que traía la traducción literal al español de reglamentos de su Ejército. Como resultado, el Ejército peruano pudo reproducir de manera menos infiel, en comparación con el Ejército de Colombia, su modelo militar europeo al otro lado del océano" (p. 136).

Con relación a las fuentes utilizadas en la investigación, Carlos Camacho afirma lo siguiente en la parte introductoria de su obra: "Las fuentes utilizadas provienen de archivos militares y civiles de Francia, Bran Bretaña, Estados Unidos, Perú y Colombia, lo que ha permitido, en los capítulos impares, narrar los hechos bélicos desde diferentes puntos de vista y, en los pares, comparar sistemática, aunque no exhaustivamente, los ejércitos enfrentados - sobre todo en los años veinte y principios de los treinta -. Como ciudadano colombiano, el autor debe decir que fue mucho más fácil consultar los archivos militares peruanos que los de su propio país, por paradójico que parezca. Ojalá quienes cuidan los archivos militares colombianos encuentren en este libro una razón para confiar más en sus compatriotas historiadores" (p. 18). 

Son de especial valor para la historiografía militar, tanto colombiana como peruana, los detallados análisis que el autor desarrolla sobre la formación académica y castrense, las prioridades en la política de intercambios internacionales de oficiales, la organización de rutinas administrativas, las políticas de conscripción, la adopción de doctrinas militares por parte de las Fuerzas Armadas, la programación de "misiones internacionales" de oficiales extranjeros y la configuración de las Fuerzas Militares en el seno de los respectivos Estados. Una investigación de este talante nunca había sido hecha en Colombia de forma sistemática como lo hace Carlos Camacho. La conclusión que salta a la vista es que el Ejército colombiano, por lo menos hasta los años 30 del siglo pasado, sufría de la improvisación por parte de los programadores de las políticas públicas. Los aspectos mencionados en este parágrafo explican la repercusión positiva que la obra de Carlos Camacho ha tenido tanto en Perú (al ser catalogada, en 2016, entre los mejores libros de historia del Perú), así como la admiración y el aprecio que ha motivado en Colombia, registrándose como uno de los éxitos editoriales de 2017.

La Historiografía colombiana contemporánea ha encontrado definitivamente su madurez, con la nueva generación de investigadores. Pensando en voz alta, diría que, a lo largo de los siglos XX-XXI, se han sucedido tres generaciones: la de los historiadores ensayistas, con las referencias obligatorias a tres autores: Germán Arciniegas (1900-1999), Otto Morales Benítez (1920-2015), con quien tuve estrecha amistad y Alvaro Valencia Tovar (1923-2014). En segundo lugar, viene la generación de los historiadores que sentaron las bases para la construcción de la narrativa histórica en rigurosas bases metodológicas; de esta generación forman parte Jaime Jaramillo Uribe (1917-2015), Germán Colmenares (1938-1990), Alvaro Tirado Mejía (1940),  Margarita González Pacciotti (1942-2008), Fernán González (1939), Jorge Orlando Melo (1942), etc. La generación de la nueva historiografía es dignamente representada por el joven historiador  antioqueño Carlos Camacho Arango.

No podría terminar esta breve reseña de la obra de Carlos Camacho, sin anotar una falla, que, dentro de los grandes aciertos de su obra, ciertamente es pequeña. Amadeo Rodríguez, mi abuelo, es presentado como un oficial no técnico y más político. Pero es una falla que podría ser corregida en otros estudios del joven historiador. Para entender el conflicto colombo-peruano del 32 y 33 es necesario cruzar los hechos que se sucedieron en el escenario amazónico, con otras variables. Carlos Camacho analiza el conflicto considerando el telón de fondo de la historia de los ejércitos de Colombia y del Perú, a lo largo del siglo XX, mirando con lupa especialmente lo que aconteció con ambas organizaciones militares entre el comienzo de siglo y 1933. Acertó plenamente el joven historiador en esta escogencia. 

Hay otros telones de fondo que fueron también cruzados e investigados por él. Me refiero especialmente a la variable representada por la historiografía de los Partidos Liberal y Conservador, que es fundamental (en Colombia), o de las agremiaciones Unión Revolucionaria, de Sánchez Cerro y APRA, con toda su carga izquierdista y revolucionaria (en el Perú). Los capítulos 10 y 12 de la obra, titulados: "Militares y Políticos" I y II, profundizan en el aspecto mencionado. 

La participación de mi abuelo, el general Amadeo Rodríguez, se sitúa en ese contexto. No se entendería por que el general más joven del Ejército colombiano, que poco antes del conflicto gozaba de gran valorización por parte del gobierno, una vez iniciadas las hostilidades, se ve obligado a salir de escena para ocupar un cargo burocrático en el Departamento de Personal del Ejército en Bogotá. No hay duda de que en este punto hubo la interferencia de los intereses político-partidistas. No le interesaba al gobierno liberal que un general conservador permaneciera al frente de la Jefatura Civil y Militar del Amazonas. La actitud de Olaya frente a mi abuelo mudó radicalmente después de la salida de Carlos Arango Vélez del Ministerio de Guerra y de su substitución por el joven oficial formado en Chile, hijo del prócer liberal Uribe Uribe, Carlos Uribe Gaviria. 

Recordemos que el general Rodríguez, antes de ser ascendido a este grado, cuando aún era coronel y ya se desempeñaba como asesor del Ministro de Guerra, desarrolló un detallado estudio de lo que le faltaba al gobierno para controlar estratégicamente la región amazónica. Amadeo acompañó paso a paso el interés del Ministro Carlos Arango Vélez en el diseño de una estrategia amplia para la región. Detallé un mi estudio publicado en este blog y citado al comienzo de este post, la colabortación de Amadeo en el gabinete de Arango Vélez. Mi abuelo conocía detalladamente las necesidades logísticas y militares. Por eso fué nombrado el primer Jefe Civil y Militar del Amazonas. Cuando el conflicto se anuncia, Amadeo tiene ya detallado un plan de acción para garantizar la seguridad de la región y su permanencia en manos colombianas a la luz del tratado Salomón-Lozano. Iniciado el conflicto, el embajador de Colombia en París, el general conservador Alfredo Vásquez Cobo (héroe de la Guerra de los Mil Días), es elevado al cargo de Jefe de la expedición militar que se encargaria de defender los intereses colombianos en la Hoya Amazónica. Mi abuelo, el general Rodríguez, haría un dueto fuerte en ese escenario. Recordemos que Vásquez Cobo quería a "un general conservador" como brazo derecho de su misión amazónica. 

Pero no sucedió así. En primer lugar, porque Vásquez Cobo, desde el ángulo estratégico, era un general "a la antigua", proveniente de las guerras civiles que pulularon a lo largo del siglo XIX y cuyo último episodio fué la contienda entre liberales y conservadores conocida como "Guerra de los Mil días" (Octubre de 1899 / Noviembre de 1902), que termina al amanecer del siglo XX. Amadeo hizo su bautismo de fuego en esa contienda con escasos 17 años de edad. Pero mi abuelo tuvo la oportunidad de formarse en los cuadros del nuevo ejército fijados por las reformas de Rafael Reyes en 1909. Realizó sus estudios regulares en la Escuela Militar y culminó los cursos militares superiores en el Curso de Estado Mayor y en la Escuela Superior de Guerra. 

Esos estudios superiores fueron fruto de las misiones internacionales (alemanas, chilenas y suizas), que le dieron vida nueva a la formación militar en Colombia. Mi abuelo recordaba la disciplina intelectual y las férreas prácticas inculcadas por los instructores extranjeros. La acción bélica, para él, no sería una cosa proveniente apenas de la inspiración partidista. Era una empresa que debería ser racionalmente planeada. El estudio paciente de las necesidades logísticas sobre el terreno, era para él esencial, a fin de garantizar el éxito de cualquier operación bélica. Por esto, por ser un militar técnico, fué alzado a la importante posición de asesor del ministro de Guerra, cuando se trató de pensar la forma de garantizar los intereses patrios después de la firma del tratado que, en 1922, le reconoció a Colombia lugar en el Trapecio Amazónico. Por esos motivos también fué nombrado general en 32. 

Los militares técnicos "se fruncieron" con el nombramiento de Vásquez Cobo, un general no técnico, para comandar la expedición amazónica. Mi abuelo también "se frunció". Consideraba que el asunto de Leticia era para oficiales técnicos como él, no para figuras salidas de los libros de historia. Si Amadeo hubiera permanecido en el escenario de la guerra, al frente de la Jefatura Militar del Amazonas, es bien probable que Vásquez Cobo (que quería un auxiliar en la persona de un "general conservador"), hubiera encontrado una contraparte técnica a quien escuchar.

Pero para los intereses del Partido Liberal en el poder era demasiado la presencia de dos generales conservadores. Era imperativo sacar a Amadeo del escenario y confinarlo en una obscura posición burocrática en Bogotá. A la luz de ese telón de fondo se entienden las actitudes de desconfianza de oficiales inferiores (como el coronel Roberto Rico) frente a mi abuelo, así como las sucesivas desautorizaciones del nuevo Ministro de Guerra, Uribe Gaviria, para que no se obedecieran las directrices que Amadeo impartió a sus subordinados. Vale la pena leer con detalle los informes de prensa (inclusive de la liberal, como El Tiempo y El Espectador) en relación a mi abuelo, a los largo de los años 32 y 33. No se le critica ni desde el punto de vista militar, ni desde el ángulo humano. Pero ya a partir de la salida de mi abuelo de la escena comienza la desconstrucción de su imagen por propagandistas liberales, en un crescendo que no terminará después del conflicto, sino que irá en aumento a lo largo de las dos décadas siguientes, hasta llegar a la agresión moral que propagandistas liberales inescrupulosos, como Mendoza Neira, harán y repetirán en escritos de años posteriores. Pero aquí entramos en otro contexto histórico, el de la violencia liberal-conservadora. 

Por otra parte, para el Partido Liberal era más interesante apostarle a la solución diplomática del conflicto de Leticia, sin la participación directa del Ejército. Como de hecho sucedió, las negociaciones diplomáticas entabladas ya en 32 en la Sociedad de las Naciones en Ginebra por el representante de Colombia, Eduardo Santos, hicieron que el conflicto encontrara un camino expedito en la mesa de negociación. Pero hay que recordar, también, que sin la participación activa del Ejército, los militares peruanos hubieran sentido que no había grandes obstáculos de parte de Colombia para sus iniciativas de dar marcha atrás en el tratado Salomón-Lozano. La acción del Ejército, de la Aviación Militar y de la Marina de Guerra, permitieron que se dilatara el plazo para la firma del Protocolo de Amistad y Cooperación de Rio de Janeiro, que en mayo de 1934 le puso fin definitivo al conflicto de Leticia. 

Recuerdo un aspecto complementario: mi abuelo, general "técnico", era también un conservador activo. Ayudó a organizar el Partido para las luchas cada vez más encarnizadas contra los liberales "rojos", los radicales que querían promover la hegemonía liberal a sangre y fuego. Carlos Camacho recuerda la radicalización de los liberales en los procesos electorales de los años 30, como la sucedida en el municipio santandereano de García Rovira. Pero aquí ya se trata de otro tema para ser profundizado: el relativo a las luchas liberal-conservadoras a partir de 1933 hasta 1948. El Partido Liberal hizo lo posible para sacar al Ejército del refuerzo que tradicionalmente le dió a los conservadores en las elecciones hasta 1930. Era necesario despolitizar las instituciones castrenses. Pero lo curioso es que no fueron despolitizadas las funciones de policía, que pasaron a reforzar los intereses liberales en los períodos electorales. Recordemos que quien armaba a las guerrillas en el LLano era la policía. No hubo, por tanto, una despolitización completa de los hombres en armas para la seguridad del Estado. La institución policial quedó partidaria. Eso hizo que los conservadores, como mi abuelo, trataran de mantener los contactos del Ejército con los grupos conservadores.

Esta anotación crítica mía en nada le quita su merecimiento a la magnífica obra de Carlos Camacho Arango. Entiéndase aquella, por lo tanto, en el contexto de mi admiración frente a la obra del joven historiador, a quien felicito por su significativa contribución a la  historiografia colombiana contemporánea.

sábado, 27 de janeiro de 2018

WINSTON CHURCHILL: "NUNCA NOS RENDEREMOS" - JOÃO CARLOS ESPADA, Diretor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa - Lisboa


O Professor Doutor João Carlos Espada, Diretor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa - Lisboa.
(ESTE ARTIGO FOI PUBLICADO PELO JORNAL OBSERVADOR DE LISBOA, EM 15-01-2018)

Aos amantes da liberdade, orgulhosamente patriotas, europeus e euro-atlânticos, Churchill disse em 1940: ‘Nunca nos renderemos!’

Sim, vi o filme na semana passada, mal chegou até nós. E, sim, vou ver mais vezes. E vou hoje voltar a escrever sobre Churchill. Há uma desprezível seita anti-Churchill que o insulta sistematicamente nos ‘sites’ abertos de comentários da imprensa. Devem essa liberdade a Winston Churchill.

Na sala de cinema não estava muita gente — embora uma longa fila esperasse depois cá fora para a sessão seguinte. Na minha sessão, havia três senhoras francesas. Tal como eu, viram o filme em permanente tensão, inclinadas para a frente, com as mãos nas faces. No fim, aplaudimos discretamente.

É um grande filme (com alguns episódios menos felizes) e, sobretudo, com grandes actores. Mas é sobretudo um grande filme para aqueles que amam a liberdade e sabem o que ela vale. Nem todos sabem o que ela vale. E muitos são feitos para servir. Sobretudo ‘aqueles que pedem à liberdade algo mais do que a própria liberdade’, como alertou Alexis de Tocqueville.

Winston Churchill não foi feito para servir. E não pedia à liberdade mais do que a própria liberdade. Era um patriota orgulhoso da história da sua nação marítima e independente — da sua ilha, como refere várias vezes no filme. Era um falante de inglês, orgulhoso da história dos povos de língua inglesa, incluindo a grande democracia americana — sobre os quais escreveu o último dos seus 40 livros e ao qual dedicou cerca de 25 anos, sem nunca desistir.

E era também, crucialmente, um grande admirador da civilização europeia e ocidental — no seio da qual sempre entendeu a sua nação e os povos de língua inglesa. Cícero e Shakespeare, além da Bíblia, são as únicas referências citadas por Churchill no filme. Mas o filme podia ter acrescentado algumas passagens dos inúmeros discursos em que ele associou a defesa da sua ilha à defesa da civilização europeia e ocidental — contra as barbáries imperialistas nazi e comunista, que desencadearam em conjunto a II Guerra com a combinada invasão da nação Polaca em Setembro de 1939.

Tudo isto foi-me explicado por Karl Popper, com grande intensidade, há trinta anos, em 1988, quando o visitei pela primeira vez na sua casa em Kenley, ao sul de Londres. Agora, quando, em apertado silêncio, assistia ao filme sobre Churchill, era a voz de Popper, há 30 anos, que eu ouvia em surdina, sob a voz de Churchill no filme.

Popper vivia numa ‘cottage’ encantadora, com um belo jardim, que ele conservava imaculado. Tinha uma vasta biblioteca, onde apenas se encontravam os grandes livros e os grandes autores da civilização ocidental. Fiquei por isso surpreendido ao ver duas gigantescas prateleiras com livros de e sobre Churchill. E perguntei-lhe por que motivo tinha tantos livros sobre Churchill, tendo ele sido basicamente um político.

Popper olhou-me intensamente. Houve um silêncio. E, a seguir, mandou-me sentar com um gesto inquestionável. ‘Sente-se rapaz! Receio ter de lhe ensinar algumas coisas muito sérias!’

Eu sentei-me, perplexo. E escutei-o atentamente, por mais de uma hora. Foi uma lição magistral. Sobre Churchill e sobre como ele salvou a civilização europeia e ocidental da pestilência nazi e, depois, da comunista.

Popper, nascido em Viena, a seguir literalmente declamou sobre o ‘mistério dos povos de língua inglesa e o seu simultâneo empenho na liberdade e o seu sentido de dever’. E não se esqueceu de rematar: ‘Estou surpreendido que você não esteja a par de tudo isto pois o seu país tem a mais antiga e honrosa aliança com a Inglaterra, chamada Tratado de Windsor, assinado no século XIV’. (Mandou-me em seguida estudar em Inglaterra, o que eu felizmente cumpri).

Tudo isto eu recordei intensamente enquanto assistia intensamente ao filme sobre Churchill. Quando saí, vagueei errantemente à procura de organizar os meus sentimentos. Creio que são relativamente simples e muito pouco inovadores:

Existe uma civilização europeia e ocidental — o chamado ‘milagre europeu’, que distinguiu culturalmente e misteriosamente uma península europeia de uma massa continental euro-asiática.


Qual é a chave dessa misteriosa diferenciação?

A HISTÓRIA DO LIBERALISMO BRASILEIRO, DE ANTÔNIO PAIM

Capa e contra-capa da 2ª edição da História do Liberalismo Brasileiro, de Antônio Paim.

A História do Liberalismo Brasileiro (2ª edição revista e ampliada, prefácio de Alex Catharino; pós-fácio de Marcel van Hattem, São Paulo: LVM Editora, 2017, 393 pgs.), de Antônio Paim, é um clássico da historiografia das nossas ideias políticas. Constitui, sem dúvida, a mais importante obra já escrita no Brasil sobre o tema. Destaco três pontos, de ordem metodológica, que me parecem fundamentais para entender o pensamento do autor: a metodologia específica para a história das ideias; o estudo crítico dos autores mais representativos e, por último, a preocupação com o objeto formal do Liberalismo.

1 - A metodologia específica para a história das ideias, no contexto de uma perspectiva problemática. Para Paim, o pensamento filosófico e político são essencialmente problemáticos: as doutrinas surgem como resposta dos autores aos problemas que procuraram resolver. A forma mais objetiva de estudar a história das ideias deve partir desse núcleo. Esta metodologia tem como finalidade escutar o autor, a fin de reconstituir o caminho do pensamento até a formulação do conjunto das suas ideias. Esse método de trabalho na historiografia das ideias foi proposto por Miguel Reale, inspirado em Nicolai Hartman e Rodolfo Mondolfo. Antônio Paim o aplicou de forma sistemática ao longo das suas obras. Tal método heurístico é uma das propostas fundamentais da epistemologia das ideias da Escola Culturalista, que tem, nos dois autores mencionados, os seus representantes mais importantes.  À luz de tal método é possível compreender a dinâmica de cada pensador, sem prejulgar acerca das suas opções teóricas ou axiológicas. E sem que fique comprometida a pesquisa pelas preferências pessoais do pesquisador. Coerente com o método adotado, Paim analisa os principais pensadores do Liberalismo ao longo da história brasileira, desde o fim do período colonial até os dias atuais, fixando a atenção nos problemas emergentes em cada época e na forma em que cada pensador equacionou a solução dos mesmos.

2 - O estudo crítico dos autores mais representativos. Paim leva em consideração, aqui, a relação dos autores com o pano de fundo das ideias liberais da sua época e analisa  detalhadamente as fontes de que cada um se louvou na elaboração das suas teorias e aspectos procedimentais.

3 - A preocupação do autor por encontrar, nos autores estudados, a sua relação (ou não) com o  objeto formal do Liberalismo. Tal objeto, aquilo que dá a esta filosofia política a sua especificidade no contexto das várias doutrinas políticas, constitui a forma em que, nas várias épocas, foram desenvolvidos os aspectos práticos, no que tange à defesa da Liberdade mediante a construção das Instituições do Governo Representativo. Este item constituiu a grande descoberta de John Locke e consolidou o Liberalismo como Filosofia Política da Liberdade nos períodos Moderno e Contemporâneo.

De posse desses três expedientes metodológicos, Antônio Paim passa em revista a história do Liberalismo brasileiro, tendo como pano de fundo as doutrinas políticas que foram inspirando o afazer dos homens públicos e as doutrinas liberais de que se louvaram os vários autores estudados ao longo da obra. Da análise do autor emerge o Segundo Reinado como aquele período em que, de forma mais completa, foi elaborada uma Doutrina Liberal que levasse em consideração a construção de instituições de Governo Representativo, o que deu ao país uma estabilidade política (meio século) até 1889, jamais atingida ulteriormente. As nossas instituições foram motivo de admiração dos países que se situavam à testa da evolução politica europeia, como a França, por exemplo. François Guizot menciona o aperfeiçoamento que teve o sistema liberal no Brasil com Dom Pedro II, destacando esse fato como uma circunstância marcante, no meio à onda de revoluções e golpes de estado que vingou no mundo hispano-americano ao longo do século XIX.

No ciclo republicano, infelizmente, em decorrência do desenvolvimento que tiveram no Brasil as várias doutrinas positivistas, notadamente o Castilhismo sul-riograndense, passou a segundo plano a preocupação dos homens públicos e dos intelectuais com a construção e aperfeiçoamento do Governo Representativo, o que abriu a porta para a prática do autoritarismo que vicejou ao longo da República Velha (1889-1930) ao ensejo da Política dos Governadores, em que pese o fato de liberais da talha de Rui Barbosa e Assis Brasil lutarem para manter viva a Tradição Liberal. Mas a maré montante do Autoritarismo Castilhista implantou um modelo de governança autoritária que deu certo no Rio Grande do Sul, em meio, claro, a constantes conflitos civis que cindiram a sociedade sul-riograndense.

O segundo ciclo republicano, identificado com a Revolução de 1930 e as reformas estatizantes  e modernizadoras comandadas por Getúlio na sua longa passagem pelo poder (que só terminaria em 1954, com a morte do líder são-borjense), consolidou o autoritarismo como gestão republicana de sucesso e deformou mais ainda a prática política, tendo aviltado de forma esmagadora a questão da Representação.  O ciclo militar (1964-1985) se bem pretendia esconjurar a herança varguista retomada sem a perspectiva modernizadora por João Goulart (na proposta de República sindical), concentrou todos os esforços na modernnização econômica do pais, mas sem cuidar da reforma política que desse vez à institucionalizaçao e aperfeiçoamento do Governo Representativo.

O ciclo atual, após a redemocratização a partir de 1985, não cuidou a contento das instituições do Governo Representativo, ficando presa a elite política a questões secundárias, fato que conduziu à deformada prática da Representação. Essas circunstâncias levaram progressivamente ao alheiamento da sociedade em face da Democracia Representativa e à progressiva desvalorização do Poder Legislativo. Nesse estágio nos encontramos nas atuais circunstâncias, pioradas pela equivocada polarização da sociedade não entre propostas diversas de represetação, mas entre governo e oposição, sendo esta invadida pelo que de pior se pode encontrar no universo político, pelos totalitários de plantão identificados com o PT. O longo consulado lulo-petista só levou a duas coisas: acirramento da oposição contra tudo aquilo que represente opção de pluralismo e de respeito pelos interesses dos cidadãos, e, em segundo lugar, ao esfacelamento das instituições republicanas na prática sistemática e diuturna da corrupção por parte dos agentes políticos e dos empresários cooptados pelo Poder Executivo.

Em meio à confusão reinante, o rofessor Paim destaca que, a partir das últimas duas décadas do século passado até o presente, foram surgindo, do seio da sociedade civil, iniciativas em prol do estudo do liberalismo e da discussão de caminhos para reformar a combalida representação política, bem como a gestão da economia, a partir das Propostas Liberais. 

Nesse esforço, foi retomado, por intelectuais e empresários, o contato habitual com a Tradição Liberal dos países em que ela amadureceu, fato que se estendeu a alguns membros do Congresso e do Governo. Isto tem dado ensejo a novo ciclo cultural que anima às novas gerações, não apenas aos intelectuais e a alguns atores políticos tradicionais. Paim é otimista em relação a esses novos fatos que darão frutos alvissareiros nas reformas politicas, econômicas e culturais de que o país carece, para ver florescer novamente a Cultura Liberal de que tanto precisamos.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

JOSÉ ARTHUR RIOS - 1921-2017 (IN MEMORIAM)

O mestre José Arthur Rios e este escriba, em evento no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, em 2008. (Foto álbum de família).
Conheci José Arthur Rios como Docente da chata disciplina "Estudo de problemas brasileiros", quando fiz o mestrado em Pensamento Brasileiro na PUC do Rio, entre 1973 e 1974. Digo "chata disciplina", não pelo fato de essa disciplina tratar dos problemas do Brasil, mas porque, nesses anos, a matéria era lecionada, via de regra, por milicos aposentados ou civis propagandistas do regime. Embora concordasse com a higiene que os militares fizeram na seara da política brasileira tirando os comunas do poder, não concordava com os exageros da repressão, notadamente no que se refere à tortura e à liberdade de expressão. 

Eu vinha de grupos da esquerda católica na Colômbia que descambaram para o terrorismo e a luta armada. Lembro que, quando vim para o Rio casar com Glecí, minha primeira esposa, em 1971, o meu tio, o general Juan Félix Mosquera, que tinha sido comandante da Polícia Nacional na Colômbia, me alertou: "Cura" - era o nome que ele me dava, como liberal anticlerical que era - "tenha muito cuidado no Brasil: os Gorilas não brincam em serviço!". "El tio Juan", como o chamávamos, estava informado. Na véspera da viagem, embora ele se encontrasse gravemente doente (viria a falecer poucos dias depois), me levou ao seu escritório na bela casa de El Chicó, na zona norte de Bogotá, abriu o cofre-forte e me mostrou uma pasta. Nos documentos nela contidos constavam informes do serviço secreto colombiano acerca das atividades extremistas dos grupos nos quais eu participava. Não precisou "El tio Juan" de muita retórica para me convencer de duas coisas: a polícia sabia de tudo quanto eu tinha feito e ele era, verdadeiramente, um espírito liberal.

Quando iniciei o curso de Mestrado na PUC do Rio, dois professores logo se destacaram: o coordenador da área de pesquisa em Pensamento Brasileiro, Antônio Paim e o professor José Arthur Rios, que ministrava a famosa e chata disciplina. Falarei aqui do José Arthur, de quem virei amigo. Do Mestre Paim, meu amigo do peito e que virou o meu orientador e guru, já tenho escrito muito. 

Pois bem: O professor Rios, eminente sociólogo, tinha cursado, em Niterói, o Curso de Ciências Jurídicas, tendo-se formado bacharel em 1943, aos 22 anos de idade. Cursou, depois, Ciências Sociais na antiga Faculdade Nacional de Filosofia, da Universidade do Brasil (atual UFRJ), onde teve oportunidade de estudar com sociólogos franceses de renome como Jacques Lambert, Maurice Byé e René Poirier. Obteve, posteriormente, o título de "Master of Arts" na Universidade de Lousiana, nos Estados Unidos. Pertenceu, depois, ao corpo docente da PUC do Rio de Janeiro, tendo chefiado ali o Departamento de Sociologia e Ciência Política. Lecionou em outras Universidades cariocas como a UFRJ e Santa Úrsula. Foi membro titular do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, com sede no Rio de Janeiro (tendo eu tido a honra de ser por ele indicado para integrar o mencionado colegiado).  Rios teve, também, destacada atuação em Universidades internacionais como a da Flórida e a da Califórnia, nos Estados Unidos. Teve, outrossim, destacada atuação na edição brasileira do Dicionário de Ciências Sociais da Unesco, a cargo da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro.

Nas suas aulas de Estudo de Problemas Brasileiros na PUC do Rio, no Curso de Mestrado em Filosofia do qual eu participava em 1973, o professor José Arthur Rios destacava as mudanças pelas que tinha enveredado a sociedade brasileira no início dos anos 70. Havia no ar uma transformação radical. O Brasil, de país rural, estava-se convertendo, a passos agigantados, em sociedade moderna e urbana. José Arthur centrou a sua atenção, nas aulas, num ponto específico: a rápida transformação que a cidade do Rio de Janeiro estava sofrendo, no que tange à integração da antiga Zona Norte, mediante a expansão de vias de comunicação modernas e o surgimento de bairros abertos ao comércio de ponta com a emergência dos notáveis "Shopping-Centers". "Querem conhecer o Brasil, meus caros alunos?" perguntava o Mestre Sociólogo. E respondia: - "Peguem o ônibus e vão para a zona Norte, observando o que mais lhes chamar a atenção". Na semana seguinte, o Mestre indagava, pacientemente, pelo relatório que cada aluno deveria ter feito da sua viagem a essa zona desconhecida. "O que mais lhes chamou a atenção?" - perguntava aos alunos que frequentavam a sua disciplina na PUC, geralmente provenientes das ricas esferas sociais -. Cada um de nós tinha de fazer um relatório vivencial do que tinha visto. No meu primeiro relatório, falei da viagem que fiz de ônibus, saindo de Copacabana para o Méier, o primeiro bairro da Zona Norte que, após a Tijuca, sofreu a grande transformação urbana. Impressionou-me o "Shopping Center" inaugurado pouco tempo atrás sobre a rua Dias da Cruz, que cruza o bairro do Norte ao Sul. Lojas de griffe, modernos restaurantes e lanchonetes, aquele povo cheiroso e bonito andando nas aprazíveis áreas de alimentação e pelos amplos corredores, tudo com aquele ar refrigerado maravilhoso  e, ainda por cima, com música ambiental, nas quentíssimas tardes cariocas. "O Méier está virando cidade moderna, professor", foi a conclusão do meu relatório.

Com o Mestre José Arthur Rios aprendi os rudimentos da Sociologia. E nunca mais larguei essa inicial curiosidade pelas mudanças sociais. Continuei fiel ao diálogo entre Filosofia, História das Ideias e Sociologia, que tem constituído o pano de fundo da minha obra. Entre 1994 e 1996, com a orientação e o apoio do saudoso amigo embaixador José Osvaldo de Meira Penna, fiz a pesquisa de pós-doutorado em Paris, sob a orientação de Françoise Mélonio, no Instituto de Estudos Políticos Raymond Aron, vinculado à Haute École des Sciences Sociales. Estudei, na oportunidade, a mudança social que se deu nos Estados Unidos após a Independência das treze colônias, em 1776, a partir das análises feitas por Alexis de Tocqueville na sua Da Democracia na América. A conclusão do meu trabalho apontava para os caminhos que as democracias sul-americanas poderiam trilhar à luz das análises feitas por Tocqueville. Terminei sintetizando esse meu estudo na obra intitulada: A Democracia Liberal segundo Alexis de Tocqueville (São Paulo: Mandarim, 1998).

José Arthur Rios foi discípulo de Eric Voegelin (1901-1985) quando dos seus estudos de pós-graduação em Sociologia na Luisiana State University, nos Estados Unidos, e desenvolveu, nas últimas décadas, importantes trabalhos de consultoria e pesquisa no seio do Conselho Técnico da Confederação Nacional do Comércio, no Rio de Janeiro, no campo da problemática social urbana, bem como na abordagem da questão agrária e das lutas sociais, notadamente no que tange à violência.

As suas pesquisas sobre a transformação urbana brasileira ficaram consignadas nas seguintes obras, dentre as inúmeras escritas pelo eminente sociólogo: The University Student and Brazilian Society (Michigan State University: Latin American Studies Center, 1971) e Social Transformation and Urbanization - The case of Rio de Janeiro (University of Winsconsin- Milwaukee: Center for Latin-American Studies, 1971). É extensa a lista das obras publicadas no Brasil pelo nosso autor. Menciono as mais representativas: A educação dos grupos (Rio de Janeiro, 1954); Problemas humanos das favelas cariocas (Rio de Janeiro, 1960);  Recomendações sobre a Reforma Agrária (em co-autoria, Rio de Janeiro,  1961); O artesanato cearense (Rio de Janeiro, 1963); Estudo de Problemas Brasileiros ( Rio de Janeiro, 1964); A Reforma Agrária: problemas, bases, soluções (em co-autoria, Rio de Janeiro, 1964); Sociologia da corrupção (em co-autoria, Rio de Janeiro, 1987); Ensaios de olhar e ver (Rio de Janeiro, 2011). José Arthur publicou, outrossim, muitos ensaios sobre a problemática da violência no Brasil, na Carta Mensal (órgão do Conselho Técnico da Confederação Nacional do Comércio) e na obra em colaboração com outros pesquisadores de renome, sobre a problemática da violência e da corrupção na sociedade brasileira contemporânea , intitulada: Crime e Castigo (organizada pela CNC, no Rio de Janeiro, e ainda inédita). José Arthur era também poeta. Deixou vários livros nessa bela seara, tais como: Câmara escura (Rio de Janeiro, 1972); Poemas do cuco (Rio de Janeiro, 2004) e Objetos não são coisas (Rio de Janeiro, 2013).

O nosso autor pertenceu ao grupo de pensadores tradicionalistas que integravam o Centro dom Vital, criado por Jackson de Figueiredo (1891-1928). Casou com a filha dele, Regina Alves de Figueiredo, falecida recentemente. A ensaística do meu amigo era, antes de tudo, agradável, feita a partir de uma leveza de expressão de refinado e bem-humorado causeur. José Arthur evoluiu de uma rígida posição tradicionalista para uma posição de conservador tolerante com outras vertentes de pensamento. Pela sua riqueza humanística, eu o teria candidatado para a Academia Brasileira de Letras.
Acima: com José Arthur Rios na sede do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, na minha posse como Membro Correspondente, em 1998. Abaixo: com Arno Wehling, (presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro) e com José Arthur Rios, em Seminário comemorativo da obra de Joaquim Nabuco, em  2010. (Foto álbum de família).


quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

A PERSISTENTE E CANSATIVA CARA DE PAU DE LULA E PT (Artigo publicado no Estadão, 17-01-2018, p. A2)








Sua retórica se inspira na tradição totalitária que fez milhões de vítimas mundo afora






*Ricardo Vélez Rodríguez, O Estado de S.Paulo
17 Janeiro 2018 | 03h08
O fato que salta à vista neste início de ano é a eterna cara de pau de Lula e dos advogados e militantes do Partido dos Trabalhadores (PT). O famigerado líder petista e seus sequazes tentam peitar a magistratura, com o propósito de tumultuar o julgamento do réu pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), em Porto Alegre, no próximo dia 24, tendo sido já o ex-presidente condenado pelo juiz federal Sergio Moro em primeira instância, no âmbito da Operação Lava Jato.
A finalidade da estratégia petista sempre tem sido pescar em águas turvas. Para Lula, só há uma alternativa: guindá-lo de novo ao poder, do qual ele e seu partido foram desalojados pela sociedade brasileira após 14 anos de desmandos.
Inovou Lula com essa estratégia? Definitivamente, não: essa é a via aberta pelos totalitários desde os jacobinos e Lenin até os dias atuais.
O grande problema não resolvido pelos totalitários é que eles se acham superiores ao restante da humanidade. O termo “democracia”, para o espírito totalitário, significa governo dos próprios totalitários sem nenhuma limitação. Eles assumiram o espírito pregado por Jean-Jacques Rousseau no seu Contrato Social: o líder e os “puros”, seus seguidores, têm a missão escatológica de dar origem ao “homem novo”, aquele não conspurcado pela defesa dos interesses individuais. E somente pode haver uma forma de governo válida: a ditadura do líder messiânico e dos puros, a fim de garantir a unanimidade ao redor da “vontade geral” encarnada neles.
Ora, segundo pensava o maluco filósofo de Genebra na obra citada, o poder total a ser exercido pelo líder e seus seguidores consiste na unanimidade de todos ao redor deles para garantir a felicidade do gênero humano. Qualquer dissidência deve ser aniquilada como atentado contra a felicidade geral. A infelicidade infiltra-se na sociedade em decorrência da existência dos indivíduos e dos seus interesses privados. Devem ser esmagados, portanto, todos aqueles que não se curvarem ao “interesse público”, entendido como a imposição da “vontade geral”, da qual são garantia e manifestação soteriológica, na História, o líder messiânico e os seus seguidores imediatos, os “puros”. O ideal da nova ordem política foi bem definido por Lenin, em O Estado e a Revolução, como “um poder não limitado por leis”.
O espírito totalitário perversamente apregoado por Rousseau passou, na modernidade, a encarnar nas lideranças revolucionárias radicais, que tingiram de sangue a História desde os jacobinos na Revolução Francesa e no Terror por eles imposto, no final do século 18, passando pelo império napoleônico (entre 1804 e 1814) e seguindo, já nos séculos 20 e 21, com a Revolução Bolchevique, na Rússia, em 1917, e a emergência dos totalitarismos. Em todos eles o fantasma do “poder total” assoma, até na mais recente manifestação de chantagem nuclear do tresloucado líder norte-coreano, Kim Jong-un.
Essa saga do totalitarismo já se tinha manifestado em Fidel Castro e na sua ditadura familiar, no Che Guevara, com o seu dístico “Pátria (totalitária) ou morte”, na louca aventura nazi-fascista, com o endeusamento da minoria ariana ao redor do Führer, ou com Mussolini apregoando o princípio do “poder total” na célebre proposta de “tudo dentro do Estado, nada fora dele”.
Não nos enganemos: se Lula representa alguma tradição política, ela se filia a essa herança do totalitarismo hodierno. Não é por outra razão que, para ele e seus cansativos militantes, só há uma alternativa para salvar o Brasil: Lula e o PT.
Como a tradição totalitária se encarna com as cores de cada cultura, no Brasil Lula e os seus sequazes adotaram uma máscara: a cara de pau do “herói sem nenhum caráter”, Macunaíma, genialmente descrito por Mário de Andrade no seu clássico de 1928. Vamos convir: não é de cara de pau a feição do líder messiânico quando aparece na televisão, ou em palanque, afirmando para a enojada audiência que não há vivalma mais ética do que ele? Os petralhas especializaram-se em fazer da corrupção método de ação política e em esfregar no rosto dos perplexos cidadãos tungados por eles na roubalheira geral as “façanhas” praticadas.
Não são, aliás, de cara de pau as feições do comando petralha que “visitou” o desembargador Thompson Flores recentemente em Porto Alegre, como se ele e o tribunal por ele presidido fossem os meliantes, e não eles próprios? Os seguidores de Lula entenderam bem a lição da tragicomédia montada pelo líder: aparecer em público com ar contrito e na maior cara de pau, para dizer o seguinte: “Corruptos são vocês, otários, que votaram em nós e ficaram na rua da amargura juntamente com os 14 milhões de desempregados! Nós somos os puros, os retos, os que devem prevalecer no comando do Estado. Fora de nós não há salvação”. É mesmo muita cara de pau!
A sociedade brasileira tem um caminho para tirar esse lixo da História e impedir que os petralhas assumam, de novo, o poder no Brasil, a fim de destruírem o que ficou das nossas já combalidas instituições republicanas: repetir, em alto e bom som, que sabemos de quem se trata, conhecemos os malfeitos por eles praticados, que hoje já se situam na casa dos bilhões de dólares roubados e ainda estão intactos em paraísos fiscais.
Devemos repetir até o cansaço que acreditamos nas instituições, que a Justiça fará o seu trabalho até o fim, para pôr atrás das grades todos os que se aproveitaram da passagem pelo poder para enriquecer ilicitamente. E devemos repetir, na cara de Lula e dos seus sequazes, que já identificamos onde se inspira a sua retórica vazia: na tradição totalitária que deixou espalhados pelo mundo afora milhões de vítimas.
*Coordenador do Centro de Pesquisas Estratégicas da Universidade Federal de Juiz de Fora (Ufjf), 
professor emérito da Eceme, é docente da Universidade Positivo, em Londrina - e-mail: rive2001@gmail.com