VideoBar

Este conteúdo ainda não está disponível por conexões criptografadas.

Pesquisar este blog

sábado, 23 de julho de 2016

MENTIRA, A VELHA CARTA DE APRESENTAÇÃO DO COMUNISMO INTERNACIONAL

Amigos, em relação à esdrúxula troupe que compôs o famigerado "Tribunal Internacional pela Democracia no Brasil", concordo com a análise feita pelo jornalista gaúcho Percival Puggina. Trata-se, sem dúvida, de mais um "tribunal popular" para livrar a cara da petralhada e justificar a roubalheira destes quatorze anos de desgoverno, a verdadeira "herança maldita" que o PT nos deixou. 
Ora, ora, "Via Campesina" e quejandos não têm nenhuma autoridade moral. São larápios internacionais. Dilma et caterva não perdem por esperar. a Opinião Pública brasileira já sabe quem são eles. Mais um pouquinho e estarão, definitivamente, no olho da rua.
Divulgo a seguir matéria de Percival Puggina sobre o tal "Tribunal Internacional" que se reuniu no Rio de Janeiro para vociferar contra as instituições republicanas brasileiras.

A MENTIRA É O EXIGÊNIO DO COMUNISMO
Percival Puggina
           Na última quarta-feira (20/7), reuniu-se no Rio de Janeiro um grupo de juristas escolhidos a dedo para compor um certo "Tribunal Internacional pela Democracia no Brasil". O nome da inaudita corte confessa um perfeito enquadramento: trata-se de promover a defesa da democracia "no Brasil". Venezuela, Cuba e outros são situações especiais. Se observarmos bem a imagem veremos uma bandeirinha da Venezuela sobre a mesa dos trabalhos...
          A decisão final afirma que o processo jurídico e político em curso no Brasil "viola a Constituição brasileira, a Convenção Americana de Direitos Humanos e o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, constituindo um verdadeiro golpe de Estado”.
          O evento, que transcorreu no Teatro Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro, foi uma promoção conjunta da Via Campesina Internacional, Frente Brasil Popular e Frente Brasil Juristas pela Democracia, com apoio de diversas organizações sociais, entre elas a CUT. O bicho, como se vê, tem coro de jacaré, rabo de jacaré, anda como jacaré e não vai para o céu porque tem boca grande e só fala mentiras. Mas as mentiras, bem sabemos, adquirem consistência pela repetição. Mais ainda se proferidas por supostas autoridades. Ninguém prestaria atenção numa mentira da Via Campesina, nem de certos juristas brasileiros que são conhecidos porta-estandartes nos desfiles da Unidos pela Estrela. No entanto, um grupo de pessoas com nomes estranhos e estrangeiros, como as senhoras Azadeh N. Shahshahani, Almudema Barnabeu e Lawrence Cohen, chama atenção. Esse processo está muito bem descrito e fartamente exemplificado no livro Disinformation, do general dissidente Ion Mihai Pacepa. Os russos da KGB, hoje FSB, eram mestres nesses estratagemas.
          O site Brasil 247, entre outros, abriu manchete: "Tribunal Internacional conclui que impeachment de Dilma é golpe de Estado". Tribunal Internacional com qual legitimidade, caras-pálidas? Quem proporcionou a essa trupe homogênea autoridade superior à Constituição do Brasil, às duas casas do Congresso Nacional e ao longo e ponderado rito em curso, que já leva meses, conforme definido e acompanhado pelo Supremo Tribunal Federal?
           Quanta razão tinha o grande escritor russo Alexander Soljenitzin, Nobel de literatura e autor do Arquipélago Gulag: "O pior do comunismo não é a opressão, mas a mentira"!
________________________________
* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

POPULISMO E NEOPOPULISMO NA AMÉRICA LATINA




 Entre 7 e 10 de Julho teve lugar em Gramado (Rio Grande do Sul), na bela Estalagem St. Hubertus, à beira do Lago Negro, o Colóquio intitulado: "Latin American Populism and Neo-populism", promovido pelo Liberty Fund.

O evento realizou-se sob a direção de Roberto Fendt Jr. (Conselho Empresarial Brasil-China, Rio de Janeiro). Atuou como Discussion Leader Julio H. Cole (Universidade Francisco Marroquin, Guatemala) e, na qualidade de representante do Liberty Fund, Leonidas Zelmanovitz. Os demais participantes foram os seguintes: Gunter Axt (Consultor do Memorial do Ministério Público de Santa Catarina, Florianópolis), Marc Antoni Deitos (UniRitter, Porto Alegre), Sérgio Fausto (Fundação Instituto Fernando Henrique Cardoso, São Paulo), Ricardo Santos Gomes (Gomes y Takeda, Advogados Associados, Porto Alegre), Sary Levy-Carciente (Universidad Central de Venezuela, Caracas), Eduardo José Marty (Junior Achievement, Buenos Aires), Antônio Carlos Pereira (Jornal O Estado de São Paulo), Carlos Pio (Universidade de Brasília), Hélio Portocarrero de Castro (Consultor empresarial, Rio de Janeiro),   Kathrin L. Rosenfield (UFRGS, Porto Alegre),  Sandra Axelrud Saffer (Axelrud Arquitetura, Porto Alegre), Arno Wehling (Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro) e Ricardo Vélez Rodríguez (Faculdade Arthur Thomas, Londrina). A Assistente do evento foi Daniela Becker (Porto Alegre).

O Colóquio constou de seis sessões que versaram sobre os seguintes temas: 1 - O que é Populismo? 2 - O Populismo Latino-americano. 3 - O Populismo: uma ameaça para a democracia? 4 - Os programas econômicos do Populismo. 5 - O líder carismático, as demandas não satisfeitas, o discurso e o "povo": Juan Domingo Perón. 6 - O líder carismático, as demandas não satisfeitas, o discurso e o "povo": Hugo Chávez Frías. Para alimentar os debates, os participantes do Colóquio leram a bibliografia que aparece no final deste post, que lhes foi distribuída um mês antes do evento. Uma documentação realmente de peso, como poderão observar os leitores.

Essa bibliografia foi primorosamente escolhida a partir dos autores que se debruçaram, nas últimas décadas, sobre o fenômeno do Populismo na América Latina. Somente faltou, a meu ver, inserir nessa lista de leituras alguma relativa ao fenômeno do Patrimonialismo, tão característico das nossas formações sociais. Porque, sem essa variável, a análise do Populismo fica incompleta, devido ao fato de que o mesmo se insere e se fortifica com a tradicional crença, típica do Patrimonialismo, de que o Estado é um bem a ser privatizado pelos clãs e patotas, a fim de garantirem o seu enriquecimento. 

Um fenômeno tão forte como a onda de corrupção do Estado e do sistema produtivo, revelado pela Operação Lava Jato no Brasil, dá a medida da importância da variável de análise do Patrimonialismo, para bem compreender essa maré de privatização do Estado por partidos e clãs, que é o mal que afeta hodiernamente ao Brasil e a outros países latino-americanos como a Argentina (administrada pelo casal Kirschner, nas últimas décadas, como propriedade do peronismo), ou o México, às voltas com as tentativas dos cartéis de drogas para se sobreporem ao Estado de Direito (como, aliás, já tinha ocorrido na Colômbia das últimas décadas do século passado). 

Livros que analisam a questão do Patrimonialismo como pano de fundo do populismo não faltam. No caso brasileiro, por exemplo, menciono dois pesos pesados: de Antônio Paim, A querela do estatismo (1ª edição, Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1978) e do embaixador Meira Penna, O dinossauro (São Paulo: Queiroz, 1987). No caso latino-americano, menciono o meu livrinho: O Patrimonialismo e a realidade latino-americana (Rio de Janeiro: Documenta Histórica, 2006). Registro, por outro lado, que em Abril de 2013 publiquei neste blog detalhada caracterização do Neopopulismo, assinalando as suas linhas principais, que identificava em 12 pontos:
http://pensadordelamancha.blogspot.com.br/2013/04/consideracoes-acerca-do-conceito-de.html

Reinou entre os participantes do evento de Gramado o clima de amizade intelectual, de análise crítica e de liberdade de exposição, que constituem as marcas registradas dos Colóquios do Liberty Fund. Um clima bem diferente do que se vive atualmente nas Universidades públicas brasileiras, presas à luta pela manutenção de privilégios e sinecuras de docentes e administradores, sem que uma contribuição significativa apareça em meio ao clima de incertezas que domina o País. O que mais se destaca, pelo contrário, é o "nada a declarar" com que a musa do PT na USP, Marilena Chauí, responde corriqueiramente aos jornalistas abelhudos que lhe perguntam se a academia tem algo a dizer sobre a maior onda de corrupção em que mergulhou o Brasil, pela mão dos petistas no poder há quatorze anos. 

Quando alguma análise de peso aparece, como as publicadas pelo historiador Marco Antônio Villa, professor aposentado da Universidade Federal de São Carlos, o seu autor rapidamente é defenestrado pelos antigos colegas com a acusação de "neoliberal" que constitui, hoje, o grande xingamento da esquerda cartorial. Isso para não falar dos processos que o professor Villa enfrenta, movidos pelos advogados de Lula. Tudo porque se atreveu a criticar a horda de saqueadores em que degenerou o Partido dos Trabalhadores. Talvez seja essa uma das características fortes dos Populismos latino-americanos: o horror ao pensamento. 

O horror ao pensamento se desenvolveu ali onde foi mais forte a onda populista na America Latina. Essa "flor do mal" abriu-se infelizmente aqui, no Brasil, acompanhando a onda lulopetralha; floresceu também na Venezuela chavista e também na Argentina, até ontem dominada pelos peronistas radicais que assassinaram (como acaba de revelar o agente Schiuso), com a colaboração de militantes do regime de Teherão, o fiscal Nisman, o maior crítico dos crimes da presidente Cristina Kirschner, ao ensejo do acobertamento oficial sobre a investigação em torno às ações terroristas praticadas pelos iranianos com o beneplácito peronista, no final do século passado. Terrorismo, aliás, perpetrado pelos populistas não em defesa de uma "ideologia" ou de um modelo de governo (como nas décadas passadas), mas por um motivo bem mais prosaico: manter o "bom negócio" do enriquecimento às custas do Tesouro da Nação. Talvez seja esta mais uma das características dos Populismos Latino-americanos nestes tempos sombrios e medíocres...

Seria difícil aqui fazer um resumo, mesmo que sumário, da totalidade dos itens debatidos no Colóquio. Destacarei os três aspectos que mais me chamaram a atenção: 1 - A amplitude do fenômeno populista, mais um estilo de governo do que um modelo acabado. 2 - Os fortes traços messiânicos dos populismos latino-americanos, notadamente do peronismo argentino e do bolivarianismo de Chávez. 3 - A base econômica dos populismos: o Estado como fator de enriquecimento e de distribuição de benesses.

1 - A amplitude do fenômeno populista, mais um estilo de governo do que um modelo acabado. Vários autores destacaram essa característica do populismo, dentre eles Benjamin Arditi, Gino Germani, Susanne Gratius e Ernesto Laclau. O Populismo abrange uma série de práticas de centralização do poder e de relativização das instituições, destacando, em contrapartida, o peso que têm as relações de caráter direto entre o líder populista e as multidões que se sentem espelhadas nele. 

Não é de hoje, aliás, que se sedimentou essa característica, como se pode ver pela presença dela em versões anteriores, nos casos de Facundo Quiroga, na Argentina do século XIX, segundo a análise feita por Domingo Faustino Sarmiento em Facundo: civilização e barbárie no pampa argentino (1846), ou na belíssima versão romanceada por García Márquez em O outono do patriarca, da sanguinolenta e modernizadora ditadura (1908-1937) de Juan Vicente Gómez na Venezuela.

2 - Os fortes traços messiânicos dos populismos latino-americanos, notadamente do peronismo argentino e do bolivarianismo de Chávez. Duas leituras ilustram bem esse aspecto: no caso do peronismo, os discursos do líder, magnificamente apresentados por Carlos Altamirano em: Bajo el signo de las masas. No caso de Chávez, a análise crítica feita pela estudiosa venezuelana Margarita López Maya acerca do discurso de Hugo Chávez, ao longo da sua permanência no poder entre 1999 e 2013, no ensaio intitulado: "Popular Power in the Discourse of Hugo Chávez´s Government". 

Tanto no caso peronista, quanto no de Chávez, fica clara a índole messiânica de que se revestem ambos os caudilhos, curiosamente vinculados a um estamento mediador, o "ejército" que repete, nos dias atuais, as gestas libertadoras de San Martín e de Bolívar, como numa espécie de reprodução litúrgica do Mito Primordial. Foram de especial interesse as páginas de Enrique Krauze na sua obra: Redeemers - Ideas and Power in Latin America, que ilustraram detalhadamente acerca da mediação messiânica dos atuais populismos latino-americanos, bem como dos populismos presentes em versões de poder anteriores, como as ensejadas pelo leninismo, no contexto da Revolução Russa, na autorizada interpretação de Plekhânov. Para ilustrar a dimensão messiânica do chavismo, recomendaria a leitura do vivo ensaio da jornalista espanhola Beatriz Lecumberri (que dirigiu a agência France Presse em Caracas) sobre o regime chavista, na sua obra: La revolución sentimental (Caracas: Puntocero, 2012).

3 - A base econômica dos populismos: o Estado como fator de enriquecimento e de distribuição de benesses. Ficou claro, a partir das leituras de autores como Rudiger Dornbusch, Sebastian Edwards, Hector E. Schamis, Enrique Peruzzotti e Francisco Panizza, que os populismos latino-americanos cuidam bem da sua sobrevivência econômica, mantendo, sempre, o Estado empresário como a fonte que garante duas realidades: de um lado, o enriquecimento do líder e dos seus seguidores e, em segundo lugar, a distribuição de benesses entre o povinho e os aliados internacionais da liderança populista. A identificação dessa dimensão econômica do populismo é muito importante, pois ela garante a sobrevivência do sistema. 

No caso brasileiro, é clara a presença da empresa populista, através da manutenção dos mecanismos patrimonialistas de apropriação das empresas estatais e do seu patrimônio, transformando assim o Estado em fonte duradoura de recursos para o líder e a sua burocracia, cooptando, de outro lado, o setor empresarial mediante a transformação de alguns empresários escolhidos a dedo, em ícones de produtividade ou "campeões de bilheteria". Esse modelo, no caso luso-brasileiro, é bem antigo e se remonta até o Marquês de Pombal em pleno século XVIII, como foi analisado com riqueza de detalhes pelo saudoso Gilberto Paim na sua obra: De Pombal à reabertura dos portos (Rio de Janeiro: Reproarte, 2011).

A seguir, a lista das leituras feitas pelos participantes do Colóquio, a fim de alimentar o debate:

ARDITI, Benjamin. Populism in the Mirror of Democracy. (Editado por Francisco Panizza). London: Verso, 2005. Seleção do Cap. 3, "Populism as an Internal Periphery of Democratic Politics", pg. 78-87.

DI TELLA, Torcuato. "The Transformations of Populism in Latin America". Journal of International Cooperation Studies, vol. 5 nº 1 (June 199) pgs. 47-78.

DORNBUSCH, Rudiger / Sebastian EDWARDS. The Macroeconomics of Populism in Latin America. Chicago: Chicago University Press, 1991, Cap. 1, "The Macroeconomics of Populism", pg. 7-13.

GERMANI, Gino. Authoritarianism, Fascism and National Populism. New Brunswick: Transaction Books, 1978. Capítulo 8, "Middle Classes and Social Mobilization in the Rise of Italian Fascism: A Comparison with the Argentine Case", pgs. 225-242.

GRATIUS, Susanne. "The 'Third Wave of Populism' in Latin America". Fundación para las Relaciones Internacionales y el Diálogo Exterior. Madrid, October 2007 pgs. 1-19.

KRAUZE, Enrique. Redeemers - Ideas and Power in Latin America. (Tradução ao inglês de Frank Heifetz e Natasha Wimmer). New York: Harper Collins, 2011.

LACLAU, Ernesto. On Populist Reason. London: Verso, 2005, Parte I, Capítulo 1º:"Populism: Ambiguities and Paradoxes", pg. 3-20.

LÓPEZ MAYA, Margarita. "Popular Power in the Discourse of Hugo Chávez´s Government (1999-2013)", In: The Promise adns Perils of Populism: Global Perspectives. (Obra editada por Carlos de La Torre). Lexington: The University Press of Kentucky, 2015.

PANIZZA, Francisco. Populism and the Mirror of Democracy. (Editado por Francisco Panizza). Londron: Verso, 2005. Seleção da Introdução: "What is Populism?", "The Conditions of Emergence of Populism", "Who are the People?", pgs. 2-17 e "The Populist Gaze", pg. 24-31.

PERUZZOTTI, Enrique. "Populism in Democratic Times: Populism, Representative Democracy, and the Debate on Democratic Deepenig". In: Latin American Populism in the Twenty-First Century, (editado por Carlos de la Torre e Cynthia J. Arnson), Baltimore: John Hopkins University Press, 2013, pg. 61-84.

PERÓN, Juan Domingo. Bajo el signo de las masas (1943-1973) - Biblioteca del Pensamiento Argentino, Volumen VI. (Edición preparada por Carlos Altamirano). Buenos Aires: Emecé, 2007.

RIKER, William H.  Liberalism Against Populism. Prospect heights: Waveland Press, Inc., 1982. Cap. 1, "The Connection Between the Theory of Social Choice, and the Theory of Democracy". pg. 1-16.

SCHAMIS, Hector E. "From the Peróns to the Kirchners", in: Latin American Populism in the Twenty-First Century. (Editado por Carlos de La Torre e Cynthia . Arnson). Baltimore: John Hopkins University Press, 2013, pg.  151-163.

SIGAL, Silvia / Eliseo VERÓN. Perón o muerte - Losd fundamentos discursivos del fenómeno peronista. Buenos Aires: Biblioteca Virtual Universal, 2006, Pg. 1-28.

WEBER, Max. On Charisma and Institution Building. University of Chicago Press, 1968.


(Em sentido horário): Gunter Axt, Sandra Axelrud Saffer, Ricardo Santos Gomes,  Sérgio Fausto, Kathrin L Rosenfield. (Foto: Ricardo Vélez Rodríguez)

(Em sentido horário): Helio O. Portocarrero de Castro, Roberto Fendt Jr., Sary-Levy Carciente, Eduardo José Marty, Antonio Carlos Pereira, Ricardo Vélez Rodríguez. (Foto: Ricardo V. Rodríguez).


(Em sentido horário): Kathrin Rosenfield,  Sandra Axelrud Saffer, Sary Levy-Carciente, Roberto Fendt Jr., Eduardo José Marty, Ricardo Santos Gomes. (Fotografia de Daniela Becker).

(Em sentido horário): Antonio Carlos Pereira, Leonidas Zelmanovitz,  Júlio H. Cole, Ricardo Vélez Rodríguez. (Fotografia de Daniela Becker).

(Em sentido horário): Arno Wehling, Sérgio Fausto, Gunter Axt, Marc Antoni Deitos, Hélio O. Portocarrero de Castro. (Fotografia de Daniela Becker).

Foto final do Colóquio. (Fotografia de Daniela Becker).
Este cronista na entrada posterior da Estalagem St. Hubertus, em Gramado. (Foto de Ricardo V. Rodríguez).


quarta-feira, 6 de julho de 2016

BREXIT LITIGIOSO (Artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo, em 05/07/2016 pg A2)


Os burocratas de Bruxelas tomaram uma decisão ruim em face do plebiscito de 24 de Junho que confirmou a saída da Inglaterra da Comunidade Européia. Como frisou o presidente da Comissão que preside a União, a entidade cobrará caro a saída dos Ingleses, a fim de que o evento sirva como lição aos remanescentes 27 países membros. Não será uma separação amigável, mas um divórcio litigioso. Quem quiser sair pagará um preço caro, em termos de perda de vantagens comerciais e de benefícios para os seus cidadãos. A decisão do centro do poder de Bruxelas pode, de momento, estancar a corrida para fora da União. Mas não acabará com os problemas, porque o que mais incomodava aos súditos da Rainha Isabel era a prepotência de Bruxelas, que baixa normas e age à vontade como se fosse dona da bola.

Lembremos que a Magna Carta, há oitocentos anos, visava a controlar, na Inglaterra, a autoridade real, inclusive no relativo à fixação de impostos, tradição que foi confirmada em várias oportunidades como em 1689, quando da proclamação do “Bill of Rights”. Os Americanos, na sua briga contra a Metrópole, em meados do século 18 adotaram o princípio de “No Taxation without Representation”, que se inspirava nessa antiga tradição.

Ora, os excessos de poder de Bruxelas incomodavam aos Britânicos, que são particularmente sensíveis diante da autoridade em geral. Como lembrava o redator da revista The Economist (“Revolucionários improváveis”, O Estado de S. Paulo, 26-06-2016, pg. A12) comentando o Brexit, os Ingleses sempre foram meio anarquistas em relação aos poderes constituídos. O escritor George Orwell, que se tornou famoso pelo seu clássico 1984, referindo-se às canções populares dos soldados na 1ª Guerra Mundial, escrevia: “O único inimigo que chegava a ser nomeado nas letras era o sargento”.

Convenhamos que, em termos de obrigações, a Grã Bretanha fez o dever de casa durante o tempo da sua permanência na Comunidade Europeia: saneou as contas públicas, baixou a inflação, desenvolveu programas eficientes de controle ao terror e à insegurança, além de pagar rigorosamente em dia as suas contas com a União. Ora, não era isso exatamente o que outros membros da Eurozona fazem, ao permitir o gasto público descontrolado e favorecer elites econômicas corruptas (como aconteceu na Grécia), que comprometeram a realização das metas exigidas por Bruxelas. Além do mais, a questão dos refugiados apresenta-se como uma variável difícil de ser equacionada por um país, como a Inglaterra, já sobrecarregado de imigrantes.

O pragmatismo dos Ingleses sempre olhou com desconfiança para a ausência de controles sobre o poder central vigente no Continente europeu. John Locke, em pleno século 17, quando da sua viagem pela França absolutista de Luís XIV, referia-se às práticas autoritárias desse país como o “mal francês”, utilizando ironicamente uma expressão que, nos meios médicos, referia-se à sífilis que pululava entre os dissolutos súditos da Corte de Versalhes. O “mal francês” era, portanto, duplo: a sífilis, de um lado e, de outro, o estatismo.

Se o filósofo prussiano Gottfried Leibniz pensou no século 17 a integração europeia construída verticalmente ao redor do absolutismo francês, com o auxílio da Grande Armée, no século seguinte outro pensador da mesma origem, Immanuel Kant, pensou a integração europeia em termos que remetiam à assimilação das Luzes no Continente. Na sua Paz perpétua (1795) Kant imaginava uma Europa unida por um pacto federativo entre os seus integrantes, ao redor de um modelo de democracia alicerçada no direito cosmopolita que, incorporando as exigências da moral social, buscasse evitar a guerra mediante a implantação de regimes compatíveis com a liberdade.  Essa é a base filosófica da Comunidade Europeia. Kant não acabava com as diferenças entre as várias unidades. Deixava em aberto a solução daquelas, ao ensejo da negociação em torno aos problemas que fossem surgindo, sem cair no jesuitismo de tocar para baixo do tapete as diferenças mediante a “restrictio mentalis”, mas enfrentando-as com coragem.

O grande legado da Comunidade Européia foi ter afastado o perigo da guerra entre os seus membros, a par de ter efetivado ousado plano de progresso econômico consolidando o maior mercado comum do Planeta. Contudo, como frisava Lourival Sant’Anna (“Repensar a Democracia”, O Estado de São Paulo, 26-06-2016, p. A13), “(...) o processo de tomada de decisões sobre um número cada vez maior de questões foi se afunilando e centralizando em Bruxelas. Com o passar dos anos, os cidadãos europeus foram sentindo que decisões que afetam suas vidas são tomadas por burocratas – ou eurocratas – de outros países, reunidos em uma cidade distante e sem nenhum contato com suas realidades”.

Durão Barroso, ex-presidente da Comissão Europeia, no Estoril Political Forum, promovido em Lisboa pelo Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, frisou em 29 de Junho: "Portugal e os outros países têm de ver a União Européia não como uma potência externa, mas como sendo parte ativa da UE. Se continuarmos sistematicamente a usar a UE como bode expiatório, não vamos a lado nenhum (...). Se continuarmos sistematicamente a nacionalizar os sucessos e a europeizar os fracassos, então teremos um problema".    


Acontece que o desemprego que afeta aos trabalhadores das indústrias inglesas e que motivou o seu voto favorável ao Brexit, foi condicionado pelas medidas da União Européia. Esperar para ver se o bom senso volta a prevalecer em Bruxelas, e se o pragmatismo inglês encontra uma saída negociada que salve a colaboração com a União Européia, mesmo que redefinida em termos diferentes. 

domingo, 3 de julho de 2016

EL CHAVISMO VISTO POR MARIO VARGAS LLOSA (UNA ENTREVISTA HECHA POR MARIA ISABEL RUEDA EN 2010)

Amigos, vale a pena recordar a magnífica entrevista feita pela jornalista colombiana Maria Isabel Rueda, ao escritor peruano e hoje Premio Nóbel, Mario Vargas Llosa. Essa entrevista foi divulgada por mim neste blog em 30 de Janeiro de 2010. Como radiografia do que Vargas Llosa pensa dos populismos latino-americanos, não perdeu a sua atualidade.


El escritor peruano Mario Vargas Llosa (nacido en 1936)

La periodista colombiana María Isabel Rueda le hizo recientemente al gran escritor peruano una entrevista, que fué publicada en la edición de El Tiempo, de Bogotá, el pasado 29 de Enero. Vargas Llosa (nacido en 1936) es, hoy en día, lo que podríamos llamar un "doctrinario" liberal: o sea, aquél que, a la moda de Guizot o de Benjamin Constant de Rebecque, tiende un puente entre su acción como escritor y la actividad política. Un analista de las instituciones y de las costumbres políticas, a partir de su obra escrita, acreditando en la validez, tanto de la acción pública, como de su misión como escritor. Toqueville tenía, también, mucho de ese espíritu, lo que lo llevó a participar, en varias oportunidades, en la política de su país, ora como diputado en la Asamblea Nacional Francesa, ora como Ministro de Estado. Como magistrado licenciado, entre otras cosas, el gran pensador francés escribió su clásica obra La Democracia en América.

Esa mezcla, por lo tanto, no es mala compañera: hay gente de gran talento que la ha practicado. En Brasil, es rica la tradición de liberales doctrinarios, comenzando por la élite que les dió sustentación a las instituciones del Segundo Reinado, como el vizconde de Uruguai, Paulino Soares de Sousa, o el filósofo oficial del Imperio, Domingos Gonçalves de Magalhães, vizconde de Araguaia. A lo largo del siglo XX, no se perdió esa bella tradición. Diría que fueron Silvio Romero y Tobías Barreto, los dos mayores ícones de la Escuela de Recife, los que inauguraron esta práctica doctrinaria en el período republicano.

Durante las últimas décadas, se han destacado como doctrinarios liberales el añorado Miguel Reale (1910-2006), Ubiratan Macedo (1937-2007), Roberto Campos (1917-2001), José Guilherme Merquior (1941-1991), Donald Stewart Jr (1931-1999), Og Leme (1922-2004), etc. En la actualidad, dos figuras brillan en esa noble tarea, de darle alma a la política (a la luz de los ideales liberales), a partir de las creaciones en el campo del pensamiento: Antônio Paim (nacido en 1927) y José Osvaldo de Meira Penna (nacido en 1917). Éste como embajador que fuera del Brasil en varios países y como fecundo ensayista. Paim, como pensador y en su calidad de formador de un nuevo grupo de estudiosos de la realidad brasileña, y también como disciplinador de la nueva generación de actores políticos que se han aglutinado al rededor de las banderas del liberalismo.

En el plano más amplio de la creación literaria aliada a la ensayística política, es Vargas Llosa, hoy en día, en el universo latinoamericano e ibérico, uno de los autores que mejor encarnan esta vocación de "liberal doctrinario".

A la pregunta de María Isabel Rueda acerca de qué está escribiendo en la actualidad, Vargas Llosa responde: "Estoy terminando una novela que probablemente se llamará El sueño del celta. Está inspirada en un personaje histórico irlandés que se llamó Roger Casement."

Abordando el tema de la política, la periodista colombiana idaga: "En esta entrevista le voy a hablar solamente de política. ¿Tengo su permiso?" - "¡Qué remedio! - responde el escritor peruano - Ya estoy acostumbrado, porque a los escritores les hacen más preguntas políticas que literarias".

Pregunta de María Isabel Rueda: "Hace 20 años usted fue candidato presidencial en el Perú. ¿Hoy está retirado de la política activa?" - "Estoy retirado de la política profesional - responde Vargas Llosa -. Yo no soy candidato a nada. Pero no estoy retirado de la participación política como escritor. Escribo sobre política, opino, eso lo he hecho siempre. Y bueno. Nací como escritor en una época en la que era impensable que un escritor le diera la espalda a la política. En los años 50, cuando yo comencé a escribir, estaban de moda las ideas de los existencialistas franceses. CamusSartre... Y con la literatura uno podía influir en la historia. Me acuerdo siempre de lo que decía SartreLas palabras son actos. Escribiendo, uno puede hacer una marca en su tiempo para la historia. El escritor no debe vivir como si estuviera fuera de la historia, del tiempo. Va defendiendo aquello en lo que cree, criticando lo que le parece criticable, entonces yo nací con la idea de que con la literatura se podía cambiar la realidad, se podía modificar la vida, y esas ideas hoy en día parecen ingenuas. Pero yo no creo que la literatura sea gratuita. La literatura deja de todas maneras un sedimento que influye en la historia. Hay un tipo de literatura que refleja esa convicción y creo que yo la he practicado toda mi vida y voy a seguir practicándola".

En relación con el tema candente de la tercera elección consecutiva de Uribe, el escritor peruano es prudente al responder, pero no por eso menos claro. Sus palabras al respecto: "No creo que tenga nada que recomendarles a los colombianos, ustedes saben muy bien lo que tienen que hacer. Pero vamos a situar el tema colombiano en el contexto latinoamericano. Para comenzar, Colombia no es un país que va mal. Va bien. Mal va Venezuela, mal va Ecuador, mal va Nicaragua. Y creo que es la primera vez, desde que tengo uso de razón, que digo que el gobierno del Perú va bien. Alan García lo está haciendo bien, como lo está haciendo bien Calderón en México, a pesar de todos los problemas. Y Colombia ha dado una batalla exitosa contra el terror, contra el narcotráfico. El presidente Uribe es un gran estadista, que seguiría cumpliendo un papel fundamental precisamente porque sale con una gran popularidad, y además creo que no hay líderes providenciales. Colombia tiene a varias personas que pueden hacerlo perfectamente bien y seguir con esa misma política, pero incorporando gente nueva, joven. Esa es mi modesta opinión, a partir del gran respeto que yo tengo por el presidente Uribe".

La periodista indaga acerca de lo que piensa el escritor peruano en relación con los proyectos de ley que no pocos gobernantes latinoamericanos han puesto sobre el tapete, tendiendo a mudar las normas electorales, con vistas a la reelección. - Vargas Llosa es contundente y objetivo en su respuesta: "No creo que se puedan cambiar las reglas del juego cuando uno está montado sobre el caballo. Ellas se pueden cambiar hacia el futuro, si es necesario, pero no se pueden cambiar en beneficio de uno mismo. Eso lesiona el principio básico de la cultura democrática. El principio de la alternancia es una cosa fundamental de las democracias, porque garantiza su renovación. Un Presidente, un sistema, un partido no puede enquistarse en el poder sin que el poder empiece a dañar el sistema mismo. El caso de Colombia es muy interesante. Es un país en que a pesar de haber experimentado una cosa tan terrible como una guerrilla feroz, poderosa, no se destruyó la sociedad, no se destruyeron las instituciones, ha habido libertad de prensa, ha funcionado la justicia, seguramente de manera deficiente pero ha funcionado. Normalmente en un país latinoamericano agobiado por la guerrilla, los narcotraficantes, eso hubiera terminado en una dictadura. En Colombia no ocurrió. Porque hay una tradición legal, institucional, que es un maravilloso activo para este país. Eso hay que preservarlo, no hay que deteriorarlo, porque cuando empieza a deteriorarse, no para. Es una bola de nieve. No queremos que Colombia se convierta en Venezuela, en Ecuador o en Bolivia. ¿No es cierto?"

Otra pregunta de María Isabel Rueda: "A pesar de que usted, como muchos colombianos, cree que el presidente Uribe ha sido un magnífico gobernante, estamos muy solos en el contexto latinoamericano. Eso se debe... ¿a qué?" - Al respecto, Vargas Llosa responde: "Colombia ha vivido un problema de guerrilla, una guerrilla que tiene una extraordinaria maquinaria de propaganda internacional, que funciona muy bien en el extranjero, y esa es la verdad. Pero pese a todo ello yo creo que la realidad ha empezado a imponerse. Los reveses que han sufrido las Farc y el Eln, el rescate de rehenes, todo eso ha ido cambiando un poco esa imagen estereotipada de los guerrilleros heroicos, románticos, idealistas, que luchan contra gobiernos autoritarios. Eso, afortunadamente, y es obra de Uribe, ha ido cambiando en los últimos años. Y cuando se hace el balance país por país, Colombia es uno de los que están mejor, y eso es un gran progreso. Algo que también se puede decir del Perú, de verdad. Hay problemas enormes pero por lo menos el rumbo es el que conviene. Hay una economía que está creciendo gracias a esa fórmula virtuosa que es la única que trae progreso, que es la democracia política y la libertad de mercado. No hay otra forma".

Una "pergunta cabeluda" de la periodista colombiana al escritor: "¿Cree fundados los temores de que Chávez pueda atacar a Colombia?" Respuesta de Mario Vargas Llosa: "Sí. De Chávez se puede esperar cualquier cosa. Es un demagogo, tiene una visión completamente megalómana de sí mismo como el salvador, el redentor, del Bolívar revivido. Es una persona que está destruyendo a su país. Ha llevado a Venezuela a una situación absolutamente crítica, tiene la inflación más alta de América Latina, ha tenido que hacer una devaluación del 50 por ciento, con lo que eso significa para la clase trabajadora, una especie de cataclismo. El país se le está deshaciendo, la oposición está activa y fuerte pero por desgracia no unificada, sin un líder, pero es una oposición muy grande. Para tratar de recrear artificialmente la unidad nacional, él puede hacer todo. Incluso, la locura de invadir a Colombia. Y nosotros, los países donde hay democracia, donde se está justamente prosperando en la legalidad y la libertad, tenemos que defendernos de alguien que no solo es un peligro nacional sino también continental. Porque además es una persona que utiliza los recursos venezolanos para sobornar gobiernos, subvencionar grupos terroristas, es un factor de desestabilización sistemática continental. Entonces, todo lo que se haga para frenarlo y contenerlo es positivo".

La periodista colombiana indaga, a seguir, acerca del papel que Vargas Llosa considera que debe tener el Brasil en la actual coyuntura latinoamericana, como mediador en un proceso que muestra varios puntos de radicalización Esta es su pregunta: "¿Usted echa de menos, como los colombianos, un papel más protagónico en defensa de la democracia del presidente Lula da Silva?" - Respuesta del escritor peruano: "Esa es una buena pregunta. Mire. El caso del presidente Lula es también muy positivo. Hace unos años, cuando apenas era candidato, tuve oportunidad de escucharlo en una reunión de líderes políticos y a mí se me pusieron los pelos de punta de solo pensar que ese señor pudiera ser presidente del Brasil. Porque su visión de la historia y de la sociedad era absolutamente primaria y si hubiera intentado ponerla en práctica desde el poder, habría arruinado al Brasil. Y una de las mejores cosas que le ha sucedido al Brasil es la transformación de Lula. Comenzó un poco antes de subir a la presidencia, pero ya en el poder, en lo que se refiere a la política interna ha sido un modelo de democracia política, de libertad de mercado, de apertura de fronteras, de gran impulso a la empresa privada. Ahora: su política internacional es absolutamente criticable, porque no se compadece con los enjuagues en los que ha estado con el señor Chávez, con el señor Fidel Castro. Él compensa su política socialdemócrata interna con una semi política revolucionaria internacional. Ahí veo una incoherencia. Hay que aplaudirlo en su política interna pero criticarlo en su política internacional, porque una cosa no es compatible con la otra. Por desgracia en América Latina suele ser muy frecuente. Buenos gobernantes dentro de sus países, pero hacia fuera tratan de ganar bazas frente a la izquierda, que siempre los aterroriza. Siguen el viejo consejo francés de que no hay que tener enemigos a la izquierda (pas des ennemies a gauche). Entonces, esa es una inmoralidad, y es sobre todo una traición con los países que están sometidos al populismo, a la demagogia, que están luchando por tener una democracia moderna, una democracia sensata. Vamos a ver qué pasa en estas elecciones en Brasil. Va a ser muy interesante. Hay un candidato de oposición que fue brazo derecho de Cardoso,un magnífico presidente. Serra es una persona de coherencia democrática impecable".

En cuanto a si Vargas Llosa encuentra, entre los políticos jóvenes de Colombia, a alguien que pudiera suceder a Uribe con la misma competencia, el escritor responde lo siguiente: "Creo que tienen muy buenos dirigentes políticos, de profundas convicciones democráticas, que van a continuar con lo que ha sido lo mejor de la política del presidente Uribe. Ustedes han tenido a un magnífico Ministro de Defensa, por ejemplo, que le ha dado golpes contundentes a la guerrilla. Está también Noemí Sanín, que estoy seguro de que sería una magnífica presidenta de Colombia y que no haría ninguna concesión a los temas centrales. Yo creo que Colombia tiene suficientes líderes para una renovación política que no limite, sino que refuerce el sistema democrático".

La entrevista de María Isabel Rueda termina con la pregunta que no podía faltar, frente a un escritor en cuya obra las relaciones entre eros y poder aparecen en un punto de destaque. Indaga la periodista colombiana lo siguiente: "¿La política tiene algo de erotismo?" - He aquí la brillante respuesta del escritor peruano: "No es el tipo de erotismo que a mí me gustaría practicar (risas). Yo prefiero más el erotismo de tipo tradicional y ortodoxo. Pero sí hay políticos que gozan sexualmente de la política. No solo intelectualmente, culturalmente, sino sexualmente. Hay una especie de encandilamiento sexual con el poder. Pero generalmente no son los líderes democráticos los que tienen esos espasmos eróticos con el poder. La democracia los premia, los controla, les pone muchas cortapisas, les impone contrapoderes. Pero imagínese un hombre como Trujillo, en el que soy casi un especialista [el escritor se refiere a su novela, de 2000, titulada: La fiesta del Chivo] . Gozaba mucho con el poder. Era casi una relación que excitaba todos sus sentidos, sus instintos. Sin ninguna duda participaba la líbido en su relación con el poder y sobre todo en su posición de dominio sobre una sociedad a la que amaestraba, organizaba, desorganizaba, sorprendía. Era la relación de un amante dominador con una amante sometida".